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Artigo
Por que acredito nas
crianças
Por Júlia Passarinho, Diretora
do INDI
Por que muitos
adultos pregam valores e defendem comportamentos para
as crianças e fazem exatamente o contrário?
Por que mentem, ludibriam, enganam crianças e
outros adultos e pregam que se deve dizer e sustentar
a verdade?
Por
que furtam, escamoteiam, lesam ou compram os outros
e dizem que a honestidade não tem preço?
Por que não assumem as conseqüências
das suas atitudes, mas obrigam as crianças a
serem responsáveis pelos próprios atos?
Por
que as fazem acreditar nos outros e a serem leais, mas
traem e abandonam na primeira oportunidade que lhes
ofereçam mais vantagens? Por que as induzem a
combater as injustiças sociais e, sempre que
podem, exploram e acirram as diferenças?
Por
que defendem a moral e os bons costumes e exemplificam
a imoralidade habitual? Por que pregam a obediência
às leis e se valem da impunidade para descumpri-las?
Por que as levam a alimentar seus sonhos e se corrompem
com ganhos fáceis?
Por
que pregam a retidão de caráter e justificam
seus erros nos erros dos outros? Por que as crianças,
ao perderem a infância, perdem as palavras e assumem
o que vivenciaram?
Creio
que porque as palavras convenceram à época,
mas, certamente, os exemplos às arrastaram (como
nos ensina o Confúcio).
Por
que acredito nas crianças? Nos sonhos de uma
sociedade verdadeiramente democrática, mais justa?
Numa humanidade mais humanizada, mas respeitosa e solidária?
Num mundo melhor?
Por
que tenho certeza absoluta de que também temos
muitos, muitos e muitos adultos que ensinam às
crianças o que realmente vivem. Que exemplificam
o que ensinam.
É
isso mesmo! O verdadeiro ensino é aquele que
é vivenciado, exemplificado, realizado junto.
Só somos capazes de ensinar o que realmente exemplificamos,
vivenciamos.
Ensinamos
a honestidade sendo honestos em todos os momentos por
mais singelos que sejam. Ensinamos o respeito sendo
respeitosos com todos e com qualquer um.
Ensinamos
os valores morais aplicando-os corriqueira e naturalmente.
Ensinamos a justiça sendo humildes e sensatos
para sermos justos.
Ensinamos
a verdade sustentando-a em cada uma das nossas atitudes.
Ensinamos a amar amando-os muito, com firmeza e serenidade.
Ensinamos crianças, apostando e acreditando nas
suas competências. Ensinamos a retidão
de caráter vivendo e exemplificando a honestidade,
o respeito, a moral, a solidariedade, a lealdade, a
gratidão, a justiça, a verdade e o amor.
Ensinamentos
estes, que são absolutamente naturais, espontâneos
e verdadeiros para quem é consciente do seu papel
como homem íntegro, como pai amoroso e como verdadeiro
educador.
Acredito
profundamente de que todo pai ou educador deseja realmente
o melhor para suas crianças. Que elas conquistem
seus sonhos, que sejam pessoas boas, que se realizem
como adultos e que sejam felizes. Por isso, aproveito
para fazer um pedido a esses mesmos adultos.
Sejam
coerentes entre o que desejam às crianças
e as ações que praticam com elas. Lembrem-se
de que as idéias convencem e os exemplos arrastam.
Que só ensinamos o que somos capazes de viver,
de exemplificar. E que são exatamente os exemplos
que as formarão como adultos.
Não
se esqueçam de que sempre há tempo para
melhorar, corrigir, aprender e para mudar. Acredito
nas crianças porque, enquanto forem crianças,
haverá sempre a disposição para
aprender, para crescer, para sonhar, para mudar, para
recomeçar, enfim, para construir um mundo melhor.
Artigo publicado no jornal Correio Braziliense
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