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Escola é lugar de criança ser feliz

Por Júlia Passarinho, Diretora do INDI

A verdadeira escola é aquela capaz de promover momentos de aprendizagem em que estarão presentes a descontração, a brincadeira e a expressão alegre e espontânea de quem é reconhecido na sua forma mais pura e mais rica de ser gente feliz.

Um bom processo de educação é aquele capaz de abrir o interesse, manter a curiosidade, despertar a alegria de aprender e subsidiar, ludicamente, a construção dos "saberes" do aprendiz.

Um bom educador é aquele capaz de alimentar os interesses, despertar curiosidades e administrar e usufruir os resultados proveitosos dos seus alunos, mantendo a própria alegria e o seu prazer de ensinar e aprender.

É isso mesmo! É possível aprender brincando, ensinar experimentando, estudar fazendo, informar refletindo e formar compartilhando, vivendo saberes.

Nunca se teorizou tanto em educação como nesta última década. Surgiram metodologias para todos os tipos de interesses e objetivos educacionais familiares. Os pais nunca estiveram tão atentos, tão preocupados com a escolha da escola para os filhos, como ultimamente. De fato, inúmeras descobertas científicas sobre desenvolvimento cerebral e humano provocaram significativas mudanças, inovações e alterações nos currículos das escolas; novas abordagens nas práticas metodológicas; atualização dos enfoques na formação dos processos de aprendizagem. Diante disso, os pais devem escolher a escola de seus filhos considerando essas questões de forma mais consciente, definindo melhor os objetivos e a idéia de boa educação que desejam e assumindo as responsabilidades que lhes cabe nessa parceria.

Como educadora, penso que uma boa educação é a que atende aos múltiplos interesses, às inúmeras competências e habilidades de cada um e esteja em sintonia coerente entre os objetivos educacionais da família e os da escola.

Atender a tal diversidade é traçar uma proposta pedagógica cujo eixo estrutural de suas ações metodológicas respeite os pilares da educação do século XXI, definidas pela Unesco:

Aprender a aprender com a grande ferramenta do eterno aprendiz que o homem, e que, como diz bem Rubens Alves, "ferramentas nos substanciam de conhecimentos que nos ajudam a resolver os problemas vitais do dia-a-dia e é com elas que voamos pelos caminhos do mundo";

Aprender a conviver é nutrir-se dos desencontros, das diferenças, das dúvidas, das frustrações, dos questionamentos, das contradições como questões naturais das relações sociais, e, assim poder favorecer as trocas e compartilhar os saberes;

Aprender a fazer é garantir a autonomia do pensamento, da reflexão, do acesso e sistematização prazerosa da experiência enriquecida das informações, significando-as e transformando os conhecimentos;

Aprender a ser é fruto do respeito recebido como pessoa, doa encorajamento no seu próprio vôo e forma de voar, na sustentação das suas competências e no acolhimento dos seus limites. É creditar-lhe valores humanos, morais, éticos, é confiar na competência humana de abrir caminhos para uma vida melhor.

Enfim, uma boa educação é a que respeita, acredita e aposta nas competências dos alunos, compreende seus limites e dificuldades, aguça a sua curiosidade investigatória, favorece o diálogo, o debate e as reflexões científicas, instiga a busca de soluções, possibilita a auto-expressão, a brincadeira prazerosa e a alegria espontânea. E não se esqueçam de que uma verdadeira escola é aquela que é capaz de promover momentos de aprendizagem, nos quais estarão presentes a descontração, a brincadeira, a aprendizagem com satisfação e a expressão alegre e espontânea de quem é reconhecido na sua forma mais pura e mais rica de ser gente feliz.

Artigo publicado no jornal Correio Braziliense